Essa percepção classista de como as pessoas enxergam a educação, pertencem ao sociólogo francês Pierre Bourdieu de quem eu tirei os apontamentos a seguir:

Classes populares: baixo retorno, incerto e de alto risco. Por não possuírem nem o capital econômico e nem o capital cultural adequados, mais a dificuldade de se adiar a entrada no mercado de trabalho, esses pais levam a escola na perspectiva de que o que vier é lucro.

Classes médias (sobretudo as emergentes): alto retorno, previsível e de médio risco. Essa turma aí já encontrou a mobilidade social através da educação, e agora querem conduzir seus filhos a elite dominante da sociedade. Não medem esforços para oferecer aos filhos mais capital cultural e cobram ansiosamente o que devem e não devem dos professores e da escola.

Elite dominante: médio retorno, previsível e de baixo risco. O sucesso escolar dos filhos dessa classe é certo, pois tem a sua disposição muito capital econômico e cultural, sem a ansiedade da classe média emergente por ser elite. A educação é alvo de investimentos, mas apenas para referendar as posições que estão a sua espera para serem assumidas.

As pessoas não só acreditam mas se sentem seguras com sua visão de ciência em que os cientistas são homens, brancos, membros de uma elite, individualistas em suas ações e produções. Não raro elas vêem o ponto de vista religioso como um empecilho moral para o progresso científico. É o que fica bastante evidente e duas grandes pesquisas sobre a percepção pública acerca da ciência e da tecnologia

Empresas com alcance global, gigantes do setor de tecnologia da informação abusam na construção desse mito. E as ações dessas empresas variam conforme o comportamento dessa imagem. E não por acaso. Embora o mercado financeiro seja quase sempre especulação, é importante destacar que as pessoas tem nas tecnologias da informação e depois na medicina a sua maior aproximação com a noção de ciência. Que no caso seria uma “versão aplicada” de uma pretensa ciência pura. 

Outro ponto curioso é a pequena ligação que as pessoas fazem entre progresso científico e progresso social. Acredita-se muito na capacidade da ciência descobrir a cura de uma grande doença, mas a relação entre essa cura e o progresso econômico e social como eliminação da fome e da pobreza é pequena na cabeça das pessoas. É como se fome e pobreza fossem questões políticas e a cura de uma doença apenas uma questão técnica.

Ao mesmo tempo em que as pessoas desconfiam profundamente dos políticos elas acham que falta mais investimentos públicos por parte de um Estado, que no caso do brasileiro, tem se destacado por uma presença cada vez mais sufocante em esferas como ciência, família, economia, religião, política, direito, sexualidade etc.

A ciência começa quando temos dúvidas e passa longe de pensamentos maniqueístas que se realizam em mitos de que ela encontra limites na “moralidade” e nos “dogmas” religiosos. Como se a história da ciência tivesse começado no século XVII, como se a Revolução científica fosse uma revolução de ateus, como se a ciência fosse amoral e sem dogmas. Como se a ciência fosse uma construção apolítica. Me pergunto se as críticas à teologia, que também é ciência, é história, é política óbvio, não surgem por seus questionamentos acerca de uma ciência ignorante que busca ser hegemônica e que tem a ridícula presunção de ter a palavra final.

Ministério da Ciência e Tecnologia. Percepção Pública da Ciência e Tecnologia. Departamento de Popularização e Difusão da C&T. Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social. www.mct.gov.br/index.php/content/view/50875.html, obtido em 07/09/2007.

VOGT, C. e POLINO, C. Percepção pública da ciência: resultados da pesquisa na Argentina, Brasil, Espanha e Uruguai. Campinas. São Paulo: FAPESP, 2003.

Chávez foi o primeiro político venezuelano que repartiu os lucros do petróleo com o povo. E o auge dessa política foi na época do barril de petróleo valendo 200 dólares. Entretanto, ele não cuidou de tratar a doença do petróleo a qual a Venezuela é vítima. Não considerou a industrialização do país como um investimento vital e de longo prazo.
Antes disso, se preocupou em usar a dependência de petróleo da sociedade venezuelana para alimentar seu projeto de permanência no poder no longo prazo.
O petróleo foi seu escudo para retirar privilégios históricos das elites locais e desafiar, de modo moleque por vezes, os EUA sem sofrer dano.
Mas seria melhor se ele usasse o petróleo como arma para que a soberania da Venezuela fosse sustentada não só pela política externa mas também pela geografia econômica do país.

Estamos vivendo os últimos tempos, décadas, de internet “livre” da história. Pelo menos essa é a constatação depois de ler algumas páginas do livro Cypherpunks escrito por Julian Assange. Recentemente o Brasil recebeu a visita de Yoane Sanches e junto com ela desembarcou toda uma polêmica sobre a liberdade de expressão dentro do regime cubano. Mas a censura que se ergue não é tão simples como ser impedido de criticar um regime político falido.
Estamos aos poucos ingressando em uma época em que ideias melhores que as provenientes de políticos e lobbys corporativos podem ser enquadradas na clássica lógica do vigiar e punir.
A internet está se tornando um ambiente altamente militarizado, sendo que exatamente tudo que se passa na rede está sendo armazenado, ou simplesmente estamos postando por livre espontânea vontade ou fazendo pesquisas no maior serviço de espionagem da história. Há cada vez menos privacidade para os indivíduos e cada vez mais sigilo e proteção sobre ações de governos e corporações. A revolução não vai ser tuitada.

Autor do livro ” Gadget – Você não é um aplicativo”, Jaron Lanier é categórico ao dizer que estamos entregando gratuitamente conteúdo e poder para um punhado de organizações que estão ficando bilionárias como o facebook, google, wordpress etc. Ao mesmo tempo essas organizações se encarregam de nos empacotar em grupos de preferência que interessam as empresas. Parece que o Zuckerberg é o novo Rockefeller do pedaço. Segundo Jaron, a internet está perdendo seu princípio multiculturalista. Assista a entrevista concedida no programa Milêno da globonews aqui.