Bugigangas da China…

Pero Vaz Caminha foi alguém que contou com maestria aquilo que vislumbrou no novo mundo. Contar as novidades era uma coisa para poucos cronistas em sua época. Hoje o que não falta é gente para contar algo sobre algum lugar como a China. Desde o ensino médio, ainda no final do século passado eu venho ouvindo sobre a China. Hoje eu reparo certa mudança nas muitas abordagens sobre a China. Na década de 90 falava-se com empolgação sobre o sucesso econômico dos chineses. Algo notório e fácil de reparar quando a quantidade de prédios envidraçados é um pobre signo que comunica uma fajuta idéia de desenvolvimento. Mas críticas como essa que fiz agora, eu vejo mais na atualidade. Como eu, quase ninguém que vai falar dos sucessos econômicos da China resiste em dar uma alfinetada.

A revista Exame, dedicada aos negócios, reservou uma edição especial, e um tanto pragmática como sempre, para orientar os empreendedores neoliberais sobre as dificuldades de transformar a China em dólares. Há, também, todos aqueles que não resistem em trazer um “papagaio” da China. São reportagens sobre “curiosidades” da cultura chinesa que são incansavelmente comparadas com a cultura hambúrguer do ocidente com o objetivo de descontrair o leitor. E sempre surge aquele papo temperado por comidas exóticas, quando a viagem ganha proporções rurais: “descobrir a China”, “o mundo desconhecido” etc. O consumo da China urbana é outro ingrediente que não falta em nenhuma reportagem, com aqueles gráficos de quantos celulares os chinesinhos compram por segundo, ou o que aconteceria se cada chinês tivesse um carro. As críticas ao Brasil e a pergunta que não quer calar: “o Brasil vai virar uma China?” são como capim, dá em tudo quanto é lugar! E na falta de assunto para encerrar a matéria o pessoal ainda dá uma enxertada com a Índia. E para finalizar, não poderia deixar de fazer parte da “descoberta desse novo mundo” a catequese através das “Companhias de Jesus” de plantão que acreditam ser a China o último front de evangelização, antes do ômega.

O mundo ocidental ainda tenta “descobrir” a China como na época de Caminha, quando a necessidade da China é entender o mundo como ele é. E não dá pra entender o mundo sentado no McDonald. Os jovens chineses precisam de espaços de sociabilidade para que sua juventude seja uma mensagem de esperança ou serão apenas usuários desse mundo de neoliberalismo decadente.