O Mundo fica logo ali… Atrás das “Muralhas da China…”

Aonde começa o mundo globalizado? Onde mora a sociedade global? Uma informação: na China algumas cidades, metrópoles, têm seus governantes escolhidos a dedo pelo Partido Comunista.

Para um jovem talento brasileiro de 25 anos do Hong Kong, Shangai, Bank Corporation (HSBC) o mundo fica em vários países para onde ele viaja como operador de mercado. Para um jovem “comum”, de 25 anos, que saiu de algum vilarejo rural da China para trabalhar na construção civil em Shangai, o mundo é Shangai.

Não há para onde correr, o mundo imediato para o jovem comum é a metrópole. E a sociedade global existe de fato na metrópole. No entanto, o mundo que o jovem comum experimenta não é essencialmente libertador como tanto se diz. Esse não é o mundo de fato. Obviamente, definir o real não é algo, a princípio, tão simples. Mas a fábula é bem óbvia aos olhos mais atentos.

Percorrer a cidade, a metrópole, é entrar em comunhão com as imagens que comunicam um mundo, embora esse não seja o mundo de fato. Mas quanto mais o jovem possui recursos para esquadrinhar a metrópole mais ele se torna refém de uma fábula, de um “conforto” que é alimentado pelo convívio com essas imagens. Uma tecnoesfera que é funcionalizada por uma psicoesfera.

Controle. Alienação. Nacionalismo. O que entra e o que sai da cidade em termos de informação é vigiado pelo governo que se preocupa em manter funcionando as engrenagens do capitalismo vermelho. Em poucas palavras: Beba Coca-Cola, tenha um carro, compre um notebook e viva o “mundo”.

Mas quem não está envolvido nessa teia, pensa. Quem não está envolvido nessa teia, tem vontade de conhecer o mundo como ele é. Quem não está envolvido por essa teia, já descobriu que existe outro mundo atrás dessa nova muralha feita de notebook’s, Coca-Cola e Ipod’s e erguida por uma busca inconsciente e inconsistente em manter um hipotético padrão de vida, em cada metrópole chinesa. Onde estão essas pessoas?

A seletividade espacial das corporações como o HSBC torna a cidade rígida, procura espaços luminosos (irrigados por infra-estrutura, informação) e cria espaços opacos, isto é, todo aquele espaço vivido por pessoas que não confiam suas vidas aos hologramas. Quem vive nesses espaços vive numa outra escala rica de recursos capazes de auxiliar na interpretação do mundo como ele é, e de passar uma outra mensagem a respeito do mundo. Esses espaços podem talvez tornar-se luminosos, mas com outras pressuposições, na medida em que a vontade de conhecer o mundo como ele é, é potencializada por espaços descontínuos de sociabilidade ao redor do globo.

Os chineses que estão conhecendo o mundo através da metrópole não precisam de alguém que sacramente as engrenagens do capitalismo vermelho, tampouco carecem de alguém que vá até a China para dizê-los que estão num caminho errado e imoral.