Geografias Invisíveis…

 

A derrubada das periferias na China dá lugar a imensos arranha – céus, que por sua vez interferem nos preços dos alimentos ao redor do mundo. As cidades na atualidade são hologramas em sua essência e não somente em suas formas e objetos.

A essência das novas cidades ao redor do mundo é o crescimento econômico, um holograma rígido que exige uma intervenção unilateral na formação sócio-espacial urbana com o objetivo de torná-la flexível. Por trás dessa contradição a princípio insustentável, esconde-se uma geografia da indústria invisível. O urbano torna-se leve, compacto e segmentado para poder receber uma infinidade de lugares, de acordo com um caleidoscópio de preferências, vistos apenas em seu produto final, sem percebermos as relações sócio-espaciais na origem, como um IPhone, leve, compacto, contendo todo o mundo sem se conhecer o mundo.

O agigantamento das aglomerações urbanas esconde a geografia da indústria em pontos ao redor do mundo, enquanto uma sociedade pós-industrial alimenta a necessidade de manter o padrão de vida a partir de novos bens e serviços. O interessante no caso chinês é a força da necessidade vencendo a liberdade na formação sócio-espacial do urbano, com o nexo sócio-territorial de periferias inteiras dando lugar aos hologramas da necessidade.

A mesma rigidez que obedece ao crescimento econômico na China ocorre com mais freqüência nos territórios do agronegócio no Brasil. Entretanto, uma diferença é crucial, pois o campo brasileiro viu sua população urbanizar-se ao longo das últimas décadas. O espaço rural tornou-se, então, fluído à adição de tecnologia e informação, o que facilita o interesse das empresas globais em controlar todos os segmentos do agronegócio, ao tempo em que a demanda por alimentos bate no teto quando as periferias são derrubadas na China.