É o fim da farra consumista, é o que dizem por aí. Meio ambiente e demografia (ou BRIC consumindo mais, entenda como quiser), no final das contas, são coisas que vêm massageando a percepção das pessoas quando olham o mundo de alguma janela por aí. Acontece que a economia trocou de lugar com a política dentro do ônibus. Cansada e amargurada a economia foi chorar suas mágoas lá no último banco, enquanto a política está sentada no primeiro banco cutucando com a sua velha bengala do Estado-Nação o motorista.

A década de 90 foi um período de inserção da economia brasileira no mercado globalizado. Um período de aceleração da relação espaço-tempo exigida pela economia e gerenciada, políticamente gerenciada, pelo governo federal. Esse mundo sem fronteiras, real, e que bate em nossas portas, traz consigo um efeito um tanto desagregador do território. Esses efeitos provenientes de uma sociedade em rede, como dizem alguns, traz mais novidades do que uma geração da década de 80, seja capaz de adiministrar ou aturar. Não à toa as questões que envolvem meio ambiente, demografia e chineses consumindo ganham muita relevância hoje.

No entanto, quando a economia começa o seu cambaleamento de sempre, a política assume o primeiro lugar e assume também, gostaria de acrescentar, o território. As pessoas vão ficar mais em casa, consomem mais em casa. As grandes empresas como a Vale vão enaltecer a figura de um cara como o Agnelli, que demite sem medo e realiza uma boa blindagem da empresa. Um cara como Reagan na década de 80 era a solução para a economia enquanto Obama é visto como esperança. Os russos querem um cara como o Putin no poder desde que ele garanta à população uma boa dentada num Big Mac. Enfim, tais situações trazem muitas implicações ao cenário de trabalho de empresas e instituições.

A segunda edição da revista exame desse mês, mostra que os chineses, agora interessados no vinho, estão salvando da crise produtores dos Estado Unidos. Mais do que ganhar dinheiro vendendo coisas, vai se dar bem agora quem for capaz de realizar um bom trabalho com cenários, sendo capaz de interagir com os aspectos culturais gerais de cada país com muito mais rigor, ao mesmo tempo em que percebe o desenhar de microtendências. Enquanto a crise se arrola por aí, o setor de educação recebe grandes investimentos do ministério da educação do Brasil, as empresas ainda não abriram completamente os olhos para isso. Eu ainda preciso ir no fundo da loja ou na estante de baixo para catar algum livro de geografia. Instituições religiosas ou ONG`s que ainda levam debaixo do braço à “verdade” ou a “solução” a outros países ainda não perceberam que hoje o governo dos EUA está migrando de uma posição de “dono” da globalização para a posição de líder do processo globalizatório. Em tempos de política e território em alta isso faz muita diferença quando olhamos pela janela do ônibus.