Ponto de Desequilíbrio

     Em novembro de 2008 as exportações chineses caíram 2%. Não é tanto assim para quem vinha tendo um crescimento nas exportações entre 19% e 20%. Até porque os relatórios do Banco Mundial, Bradesco e do Credit Suisse acreditam num crescimento entre 7% e 8% da economia chinesa para o ano de 2009. Em tempos de crise, estes são números que parecem razoáveis para quem crescia entre 9% e 10% ao ano. Muitos especialistas acreditam que o crescimento foi maior do que isso nos últimos anos, ficando entre 18% e 20% ao ano. O excesso de dinheiro em caixa também é prejudicial à economia, e os vestidos que escondiam as construções em Pequim durante as olimpíadas, preservavam não só a boa aparência da cidade. Muitas obras públicas tornaram-se escoadouro dessa torrente de dinheiro em estado líquido, que não podia ser revelada.

O fato é que têm muita gente acreditando que a China vai ser o fiel da balança nesse período de crise, enquanto Barack Obama mantém a turma esperançosa. Se seguirmos as idéias de Keynes que em tempos de crise a política, o Estado, deve tentar garantir um cenário futuro seguro para investimentos, temos então dois países e um sistema como bem parafraseou Thomas Friedman no New York Times, relembrando a célebre frase de Deng Xao Ping: “Um país, dois sistemas”.

E há quem vá ainda mais além. Enquanto o clima esquenta com o aquecimento global há quem alimente algumas teorias da conspiração, dizendo que quando o gelo dizer adeus a parte norte do continente, chineses e americanos pretendem construir um conexão ferroviária ou rodoviária sobre a casca de terra que sobrar entre China e EUA, e que, esperando isso, alguns já estão comprando terras no Alasca. Uma conspiração interessante para 2009, pois o protocolo de Kioto espera ( e deverá esperar muito…) esse ano ratificar a entrada dos emergentes nas políticas de redução de gases que aumentam o efeito estufa. Isso quer dizer que os oilcólatras americanos e chineses deveriam chegar a um acordo comum.

Em meio a tantos antagonismos os líderes políticos, os bancos e a imprensa especializada em negócios continua acreditando que o caminho é mais ou menos esse aí, com bastante otimismo, muita esperança e crença no efeito fênix do capitalismo. Há também os pessimistas, sobretudo os marxistas mais radicais, que acreditam no poder de uma comunidade unida mas não conseguem ver muitas alternativas já que o seu conceito de bem comum está confuso e não consegue acompanhar a velocidade das mudanças, restando-lhes apenas inspirar-se nas tradições.

Esse início de século nos traz a notícia de que é preciso quebrar grandes paradigmas. Assim como no passado alguém disse que a Terra era redonda, nós precisamos parar de pensar em termos de solução para pensar em termos de inserção. Esse ano 7 milhões de jovens chineses vão ingressar na economia, e esse é o ponto de desequilíbrio. Muitas instituições voltadas para o desenvolvimento só vão chegar nesses jovens na próxima crise oferecendo-lhes um prato de sopa, enquanto deveriam ter hoje estratégias claras para o trabalho com a vocação desses jovens, auxiliando sua inserção nos contextos reais desse mundo, e proporcionando liberdade para que eles possam tomar as melhores iniciativas. Afinal de contas a riqueza desse mundo são as pessoas e não o que pode ser explorado nas pessoas. Isso o orkut e uma fábrica de tênis na China já fazem.