Quase tudo têm que ser importado, cimento, tijolos e até areia. Enquanto a saúde e os meios de transporte correm atrás, quase tudo tem sido feito para manter a procura acima da oferta nas ilhas caboverdianas, que estão sendo cravejadas por resorts e guindastes movidos à libras esterlinas.

A ex-colônia portuguesa ainda depende de ajuda estrangeira, com destaque para a necessidade de alimentos. O desemprego em 2007 estava em torno de 18%. Mas o arquipélago já se despediu da lista de países menos desenvolvidos da ONU, que tinha como companhia países como Afeganistão, Serra Leoa, Coréia do Norte, etc. Cresceu em torno de 7% no ano de 2007 e planejava alcançar dois dígitos em 2011. A crise econômica, por outro lado vai frear essa expectativa já que as projeções dos organismos financeiros para África vão ficar em torno de 2,5%.

A moeda indexada ao euro e a tendência da segunda casa no exterior explicam o crescimento econômico de Cabo Verde. Os últimos anos de abundância levaram muitas pessoas a adquirir uma segunda casa no exterior. O euro e a libra valorizados acima do dólar se transformaram em casas nos Estados Unidos e, porque não, em Cabo Verde. Ingleses escolheram o país para passar férias ou simplesmente para especular e ganhar mais dinheiro em cima de uma febre imobiliária. Em meio a tudo isso, os chineses entram agressivamente no setor de infra-estrutura. Os EUA tentam estreitar acordos militares endinheirados com a ilha, enquanto a União Européia quer laços comerciais mais firmes com um dos países mais prósperos da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

Mudanças bruscas. Esse novo cenário começou a se desenhar em 2005, e o papel do indivíduo no espaço caboverdiano ganha novos significados. A língua inglesa está se transformando em inserção no mercado de trabalho. Resorts estão significando desenvolvimento. Cabo Verde está deixando o seu passado e se tornando “Cape Verde”?

O crescimento econômico e as modificações no espaço não conferem identidade digna, cidadã, sobretudo ao jovem. O que se tem em Cabo Verde é uma janela de trabalho incrível em que recursos econômicos e parcerias internacionais podem, se convergidos, alavancar um protagonismo jovem capaz de liderar o processo de construção de sua identidade espacial.