Os caras da Coca-Cola lançaram uma garrafa pet com uma tampinha 4mm menor do que a atual. A idéia é reduzir a quantidade de plástico na embalagem. Pouco? Na verdade, estamos diante de uma tendência no ramo do design. Os designers sempre foram aqueles caras que trabalhavam ativamente na criação de coisas e mais coisas. Hoje, com o número cada vez maior de pessoas consumindo coisas nos países emergentes, mais as preocupações ambientais, os designers estão sendo desafiados a construir relações mais agradáveis entre pessoas, coisas que já estão por aí e espaço.

A Coca-Cola não é dona da novidade. A edição da revista Bravo de fevereiro do ano passado fala de um inglês chamado John Thackara, de 56 anos, que tem desenvolvido projetos ao redor do mundo e já tem até livro: “In The Bubble: Designing in a Complex World”. Um dos seus trabalhos interessantes foi realizado na Inglaterra mesmo, e foi na área de alimentação. A idéia era aproximar a população de uma cidade a produção de alimentos, tentando produzi-los dentro do condado. É que um almoço de um inglês no domingo move o mundo. Muitos ingredientes são importados, quase todos eles. E o transporte de tudo isso ao redor do mundo emite toneladas de gás carbônico. No final de um ano, usando o design, foi possível preparar um refeição para 7 mil pessoas. E a palavra alimento passou a fazer parte das políticas públicas de sustentabilidade da cidade.

O CDO (Chief Designer Officer) está em alta nas corporações, e uma empresa com mais de 450 marcas como a Coca-Cola vem tentando criar novos consumidores sem precisar criar mais 450 marcas. É uma grande sacada. Na era da informação, as pessoas querem um melhor relacionamento com as coisas, o espaço e as outras pessoas ao seu redor ao invés de, por exemplo, aparelhos de celular velhos segurando a porta, e milhares de carregadores espalhados pela casa ( a propósito, o carregador universal já foi desenvolvido). Essa nova prefrência muda tudo não só no ramo corporativo. Será que os próximos políticos vão continuar enfatizando as coisas que construiram (escolas, ruas, praças, hospitais, etc) dentro da cidade, do país?