O carro é “verde”, é movido a hidrogêneo, emite água ao invés de CO2. Mas o trânsito é “trash”, as ruas estão lotadas de carros, concreto para todo lado que se vê, o espelho lateral o acabou de ser quebrado por um motoboy e o medo de ser assaltado é constante. Pergunta. Será que o carro “verde” pega numa metrópole como São Paulo?

O planejamento urbano é uma das tendências profissionais desse começo de século. Não é a pólvora. Na verdade, as mudanças no modo como se produz as coisas obrigou uma reorganização das cidades, ao longo do tempo. Basta citar Ebenzer Howard, que no final do século XIX propôs um conceito de cidades-jardim, tentando conjugar agricultura com indústria e controle demográfico. Suas idéias tiveram efeito prático em várias cidades européias.

A novidade é que as grandes cidades, as metrópoles tornaram-se um péssimo ativo à difusão da inovação. Replanejá-las é uma saída, mas a menina dos olhos para se difundir uma inovação se chama cidades médias. As pessoas querem qualidade de vida com “consciência limpa”, sobretudo consciência ambiental. Quem pode vive numa cidade dessas. Quem não pode, quer consumir coisas que comuniquem esse estilo de vida. Nas metrópoles, intervenções públicas de caráter estético são bem vindas. Nas cidades médias as pessoas querem um espaço limpo, organizado e conectado com o mundo.

Daí você imagina. O carro é verde, é movido a hidrogêneo, emite água ao invés de CO2. O trânsito flui, são poucos os carros. As pessoas vão a pé por calçadas largas e arejadas. Outros utilizam ciclovias. Todo o lixo é reciclado. Há bastante segurança e muito verde ao redor, etc.

Esse tipo de cidade pode não existir plenamente no Brasil. Mas uma novela, um comercial uma reportagem, etc. num cenário desses vai fazer muito paulistano comprar carro verde, que, por sua vez, vai gerar demanda na área de planejamento urbano, eleger políticos e levantar o Ibope das novelas da globo.

De acordo com o última pesquisa sobre o jovem brasileiro, realizada pela MTV, 40% deles se preocupam com o aquecimento global. Em relação as suas cidades, 45% dos jovens se preocupam com a violência. 39% têm preocupações pessoais com o desemprego. Pergunta. Comprar um carro “verde” é a melhor idéia que um jovem pode ter para gerar uma ruptura na construção do universo social e exercer sua vocação?