O BRIC é hoje um símbolo da moderna economia globalizada, e o crescimento econômico desses países vai puxar um segundo pelotão de países com forte incremento econômico até 2050. O Next Eleven (N11) envolve países como Irã, México, Paquistão, Nigéria, Coréia do Sul, etc.

Os modernos sistemas de globalização constituídos após a 2a Guerra trouxeram a possibilidade inédita de países antes considerados periféricos e muito pobres, como a Índia, alcançarem altos índices de crescimento econômico e tecnológico e, ao mesmo tempo, manter precariedades sociais da época do colonialismo. É claro que milhões de pessoas saíram da pobreza nestes últimos anos. Mas é difícil acreditar que a maioria das pessoas vai estar na hora certa e no lugar exato em que esses investimentos estrangeiros chegam.

As empresas globais se movimentam em frações dos territórios nacionais. Mas a sensação de que o crescimento econômico é indispensável contagia a todos. Isso me intriga. A pouco tempo, numa reportagem sobre a Índia, destacava-se o interesse de crianças de uma favela em estudar engenharia. Aqui no Brasil, alguns de meus alunos mais parecem aquelas velhas TV´s com fantasmas. Querem estudar e ter bons empregos, mas por vezes acreditam que não vão conseguir, como se ainda estivéssemos na realidade social de 1980.

O N11 têm duas características básicas, são populosos e culturalmente diversos. Isso interessa às empresas globais, mas também me faz pensar. A idéia de crescimento econômico é empolgante e inflamada num primeiro momento, mas sem consistência suficiente para potencializar estórias pessoais, conferir identidade e fazer a humanidade progredir frente aos desafios atuais. Abro o meu Le Monde e vejo como o conhecimento sobre defensivos agrícolas naturais pode ser útil aos produtores de algodão de Burkina Fasso, que enfrentam as imoralidades da Monsanto (empresa do ramo de organismos geneticamente modificados).

Daí lembro que o Deus que eu creio é um Deus que trabalha antes mesmo do universo existir. O espaço fechado e o tempo único do crescimento econômico se transformam num espaço aberto em que o encontro de diversas trajetórias pessoais pode potencializar coisas maiores do que eu, e estabelecer lugares que jamais pude imaginar.