Nos últimos anos, vários países da África escaparam dos estereótipos relacionados ao atraso, à corrupção e às guerras. O boom das commodities chegou ao continente transformando-o numa tendência de mercado que chegou para ficar. Nem mesmo a crise financeira atual  tem sido capaz de furar a bola dos craques econômicos do time africano como Nigéria, Moçambique, Madagascar etc.
O balde de água fria vem das questões político-territoriais. Construir uma identidade nacional num típico país africano repleto de grupos étnicos é uma tarefa arriscada encarada por uma minoria, quando essa minoria existe. Consequentemente a democracia e o setor público são pratos em que cada um mete as mãos em busca de porções ao seu gosto. O fato é que muito de toda essa dita prosperidade esperada para os africanos nos próximos anos pode ficar apenas na imaginação.
Na era do Imperialismo o Rei Leopoldo da Bélgica tomou para si o Congo, o Congo belga. Um tempo-espaço marcado pelo posse agressiva de territórios nacionais. Hoje o mercado não busca países porque entende que a atual realidade baseia-se em cenários de atuação interdependentes que superam as fronteiras. Hoje, qualquer grande investidor sabe que deve diversificar sua carteira de investimentos no continente, porque o país africano ideal não existe. Se é um país grande pesam os problemas político-territoriais. Se é pequeno o tamanho da economia é insuficiente.
Nesse mesmo contexto, enquanto o mercado contorna com astúcia as questões que envolvem os serviços públicos e a democracia no continente, as sodalidades ainda permanecem no século XIX, competindo com o Rei Leopoldo. O rei queria o lucro proveniente do marfim, e as sodalidades ainda querem “alcançar” nações que simplesmente não existem.
Sendo assim, para que formar uma equipe com alto grau de conhecimento e valores compartilhados, integrada por uma gestão competitiva e focalizada, para atuar em cenários, se não for para fins mercadológicos?