Golpes em Honduras

“(…) Se for verdade (como certamente é) que o homem pode sentir uma felicidade extraordinária em esfolar um gato, então o filósofo religioso só pode fazer uma dentre duas deduções. Ou ele deve negar a existência de Deus, como fazem todos os ateus; ou deve negar a presente união entre Deus e o homem, como fazem todos os cristãos. Os novos teólogos parecem pensar que uma solução altamente racionalista é negar o gato.” (G. K. Chesterton).

É fato que a constituição hondurenha proíbe rigorosamente certas iniciativas tomadas por Zelaya para se reeleger. Mas não dá para acreditar que alguma constituição séria diga que em casos como o de Zelaya o procedimento mais adequado seja apontar um fuzil para um presidente de pijamas, coloca-lo num avião e jogá-lo em alguma plantação vizinha de bananas. E o mais intrigante é ver veículos de comunicação brasileiros, com genes de ditadura na sua história e dividendos, negando o presidente de pijamas com um fuzil lhe dando bom dia.

Acontece que hoje está mais do que claro para todos que há uma nova disputa de poder em nuestra América. E que o os Estados Unidos antes líderes isolados na culpa por nossos problemas agora possuem um forte concorrente emergente nesse quesito, nascido de um dos tiros da administração Bush que saíram pela culatra. Ao temor de mais um Chávez, com todos os trejeitos, soma-se a posição do Brasil no BRIC e o desejo dos países centro americanos deixar no passado o seu retrospecto político de Repúblicas das Bananas. O estopim para esse estado de coisas não poderia ser outro. Um belo bigode e um chamativo chapéu branco a frente de reformas populistas e da aproximação política com a PetroCaribe, comandada pela PDVSA.

Confesso que quando li as análises de tais veículos de comunicação, imaginei que houvesse de fato um comprometimento político com as transnacionais de bananas e petróleo. Mas não acredito que seja isso. Pensando bem, fica claro que aquilo que opinam são soluções altamente racionalistas que para um jovem de 26 anos a nitidez de seu fracasso é gritante.