Juventudes

“(…) Não, a visão é sempre sólida e confiável. A realidade é que muitas vezes é uma fraude.” (G.K. Chesterton).

 

Aos olhos do Estado brasileiro, o jovem tem sido visto ora como uma sementinha do mal, ora como um pobre coitado. Por trás dessa visão, politicamente aderente diga-se de passagem, e que norteia as políticas públicas há muitos anos e as ações atuais de muitas organizações do terceiro setor, reina a pressuposição de que o jovem é uma categoria compelida pelas estruturas sociais. Inserido num país campeão nas desigualdades sociais, o jovem estaria mais próximo da falta de tudo e da violência do que da capacidade de propor alguma ruptura na construção do universo social.

Reina o improviso e o atendimento paternalista na hora de responder as questões da juventude. O longo prazo, a percepção colaborativa e a inovação são características das corporações do mercado. Pesquisam intensamente o jovem, e hoje tais instituições são capazes de oferecer uma floresta de significados com frutos ao gosto de quem busca intensamente construir uma identidade de pessoa ao invés de usuário. E quem é o jovem brasileiro exaustivamente pesquisado pelas empresas globais? Fácil. Um cara que desde cedo tem que decodificar as desigualdades sócio-espaciais do seu bairro, cidade e país. Uma juventude de perfis diversos com sede de mudanças.