Na Suíça, as ruas são limpas. No Brasil, a sujeira é escondida em meias e cuecas país a fora. Acontecimentos como as cenas horríveis gravadas na falsa intimidade dos gabinetes do governo do Distrito Federal provam que existem países em que a cidadania é vista pelo prisma do dever e outros em que ela é vista pelo prisma dos direitos.
Desde o Éden, o homem tem o hábito de colocar a culpa de seus atos em alguém ou em alguma coisa. O deputado lá do DF disse que guardou o dinheiro nas meias porque temia ser assaltado pelos bandidos que andam a solta por aí. Vamos reconhecer, é difícil mesmo confessar que fizemos algo errado e o homem por si só talvez seja mesmo incapaz de faze-lo. É preciso que alguém de fora, com um caráter suficientemente forte, seja íntimo o suficiente para dizer-nos que estamos fazendo a coisa errada, ou que não devemos fazê-la.
Não por acaso os países mais democráticos e menos corruptos do mundo são os países onde o cristianismo falou as pessoas e aos fundamentos de cada esfera da sociedade. Não porque algumas idéias do cristianismo poderiam ser pinçadas em benefício de um humanismo que busca um homem ou sociedade ideal, mas porque enquanto as pessoas vivem o consenso cristão lhes dá a convicção do sentido da vida e de como se deve vivê-la em relação ao outro. Na falta desse consenso há uma cultura em que os direitos são extrapolados e a competição é vista como um jogo onde eu ganho quando todos os outros perdem.