Não é o homem que é mau com a natureza. O clima está ruim porque o ambiente relacional dos homens é sempre dificultoso ou ruim. Isso mesmo. Lá na COP 15 todo mundo está a favor da tese de que se precisa fazer algo, mas o “como”, ou o “o que” envolve como enxergamos quem está ao meu lado ou a minha frente. Na geografia política, a fronteira é aquilo que está a minha frente, e geralmente aquilo que está a minha frente é uma coisa feita ou controlada por alguém, não uma pedra, uma árvore. A soma ou a multiplicação de relacionamentos caídos entre os homens e Deus nos trouxe a atual situação.
É claro que podemos ser mais legais com o meio ambiente. Na verdade a maioria esmagadora da população pode, é e quer ser mais ainda. Empresas globais já descobriram isso, melhor dizendo, já lucram com isso. O que está em jogo na superlotada COP 15 é a mudança de alguns paradigmas a começar pela idéia de que nós humanos somos o “câncer” do meio ambiente. Não o somos. O “câncer” que corrói a nossa existência é aquele que corrói os nossos relacionamentos, que nos faz acreditar que a vida são as prioridades que eu tenho hoje, que cada um deve ter a sua, acreditando sempre em si mesmo. Ou alguém conclui que alguém faz queimadas na Amazônia porque não suporta ver uma árvore na paisagem? Se estou certo no que penso, penso também que se esse paradigma não mudar, o meio ambiente será prejudicial ao desenvolvimento sustentável, citando a gafe dita pela ministra Dilma. E aí já não seria mais gafe, mais aquilo que está a nossa frente.