Até 2050, 86% da população mundial estará vivendo em países emergentes. Dado da ONU. Isso muda tudo. Desde o tipo de Mickey (que agora ganhou uma versão tropicalizada) até a agenda de relações internacionais dos países. Se o Brasil, emergente como é, quer, no futuro, jogar um papel decisivo na cena global, a hora de colocar a mão na massa é agora.

Depois de um relativo fracasso no apoio ao ex-presidente deposto de Honduras, o Brasil partiu para tentar liderar as negociações com o Irã. Qualquer resultado positivo nessa negociação seria visto com descrédito por EUA e União Européia. Sem novidades. O fato é que o acordo dessa semana é um passo em direção ao futuro posicionamento que o Brasil terá. O Brasil é hoje um jogador de futebol que saiu da reserva e entrou num jogo da final. Não decidiu nada, mas está em campo, algo há 10 anos impensável.

Se o acordo vai vingar, ou se o Irã vai fazer a bomba isso pouco importa agora. O Irã é oportunista, a sua arma principal é dizer que vai fazer a bomba num lugar minado. Em um mundo como o de hoje o que importa para o Irã é que as informações o coloquem na cena global. E o que pesa para o Brasil e para as organizações que estão nos cenários do mundo emergente é a missão de traduzir informação, produzir conhecimento e entender que mundo novo é esse.