A seleção brasileira é um importante termômetro da identidade e da percepção do povo brasileiro acerca das coisas. E além de adolescente, o Brasil é muito conservador. Sempre que o Brasil vai mal nas copas a CBF busca um técnico moralizador. E sempre que ganhamos uma copa escolhemos manter o que está dando certo ao invés de tentar coisas novas.

Após uma fatídica copa de 98 (com a manutenção de Parreira e Zagallo na comissão) e um conturbado pré-copa de 2002 entra o Felipão, tático, moralizador. Fomos campeões e o Felipão não quis seguir no barco, Quem assume? Parreira, “a garantia de que vai dar certo”. A copa de 2006 foi perdida, o presidente da CBF reclama que as coisas corriam muito soltas na concentração. Quem assume então? Dunga. Moralizador, tático. O Brasil perde. O povo pede Felipão. Quem é a primeira opção? Muricy Ramalho. Moralizador, tático.

O técnico mais inovador, inteligente e subversivo não faz muito sucesso por aqui. Não existem perfis brasileiros semelhantes ao argentino Bielsa ou o português Mourinho. Não por acaso as redes sociais e reality shows fazem tanto sucesso por aqui. Nada mais conservador do que espiar a vida alheia sem precisarmos retirar nossas máscaras.