Uma das questões universais que começa a se desenhar nesse início de século XXI é luta por não se tornar supérfluo. Massas humanas se tornando supérfluas. Pensadores e intelectuais têm se debruçado sobre isso. E, provavelmente, uma das grandes teses sociais de nosso tempo terá essa questão como matéria-prima.

Marx vêm sendo resgatado numa busca de compreender essa nova questão imposta pelo mercado. No século XIX, Karl Marx gerou identidade entre a classe operária com o seu manifesto comunista, que denunciava a exploração do trabalho humano pela infra-estrutura econômica a serviço do capital. As péssimas condições de trabalho e as rotinas excruciantes da vida fabril davam sentido a sua tese.

O conceito de trabalho hoje segue um caminho de abstração. Vive-se trabalho 24h por dia, pois não se trata mais de gerar manualmente oferta, mas sim pensar e repensar as coisas e valores enquanto o mundo muda e se cria novas demandas. Trabalha-se, entre outras coisas, para se ter crédito para o consumo. O capital, que até então era o diabo e se realizava através do trabalhador explorado do século XIX, sai de cena e se traveste de deus chamado mercado que se realiza coisificando as pessoas em usuários realizados.

Marx tinha uma pergunta que o norteava: “como libertar massas de trabalhadores da exploração diária do capital? Se Marx fosse jovem em 2010, ele se perguntaria sobre como libertar as pessoas de uma vida confortavelmente supérflua.