No Brasil, políticas públicas, ou qualquer ganho social que sobreviva a um governo ou mais, precisam ter a cara de alguém. O brasileiro idealiza um modelo de políticas públicas da Suécia, com políticas sendo desenvolvidas independentemente de pessoas, partidos e governos, mas na prática em nosso contexto, a Suécia é tropicalizada e ele espera muito que ao lado daquele avanço na economia, na saúde, educação etc tenha alguém ao lado. Uma espécie de “messias” que mantém o controle dos avanços em suas mãos, garantindo que pior as coisas não ficam mais.

A necessidade de manter o controle quase parasitário sobre o território brasileiro em tempos de colonização, elevou os portugueses a uma posição de controle do nosso futuro. Na prática, para que alguém pudesse ir ou vir ou estabelecer alguma coisa, dependia de conhecer alguém que exercia um mínimo de poder. Como exemplo, sabe-se que a expansão da malha ferroviária no Brasil, no período do Império, tornou-se muito sinuosa passando por várias propriedades, pois as “amizades” eram muito consideradas na elaboração e execução de políticas públicas.

O único jeito de levar a frente uma política pública no Brasil parece ser a reeleição ou a transferência de votos de um presidente reeleito para o seu sucessor, ou mesmo a ditadura. Esse é o retrospecto das políticas públicas na história recente do Brasil. Desde o golpe de Vargas e a ditadura na década de 30, passando pela ditadura militar até as reeleições de FHC e Lula, esses foram os períodos em que alguma coisa mais consistente e de longo prazo em termos de políticas públicas aconteceu no Brasil.