Muitos filmes atuais terminam suas histórias com finais pessimistas, dando ênfase a catástrofes naturais ou falando sobre o fim do mundo. Toda vez que o mundo vive um período de aceleração espaço-tempo, de fortes mudanças, artistas sem referenciais eternos acham que a saída é destruir a arte e isso seria então a sua reinvenção.

A realidade é dura e a arte sempre cumpriu um papel de nos ajudar a escapar um pouco dessa realidade, a termos esperança. Mas como alguém humanista, e somente isso, pode lidar com uma situação dessa. Em um filme sobre guerra contra o terror chamado “O Reino”, o diretor teme o radicalismo de definir o herói certo e bom a partir de bases obscuras ou convicções ufanistas vazias. Quem é o herói? O americano que mata e morre para vingar o amigo? Ou o terrorista islâmico que mata e morre para vingar o seu povo?

Na ausência de um referencial eterno e universal de esperança nas suas convicções, e assistindo o seu humanismo derreter em suas mãos, esse diretor prefere encerrar o filme apontando para o pessimismo e a desesperança. Para ele estamos todos errados.

A ortodoxia cristã não impediu os abusos do colonialismo, do imperialismo do capitalismo. Mas também não impediu que pessoas, cheias de esperança, buscassem de muitos modos o fim de todos esses abusos. G.K. Chesterton dizia: “quando o homem de negócios censura o idealismo de seu office-boy, geralmente o faz numa fala mais ou menos assim: “sim, claro, quando a gente é jovem tem esses ideais abstratos, e constrói castelos no ar. mas na meia-idade todos eles se desfazem como nuvens, e a gente passa a acreditar na política prática, a usar as máquinas que tem e a conviver com o mundo como ele é”. assim, pelo menos costumavam me falar na juventude senhores veneráveis e filantrópicos que agora ocupam honradas tumbas. (…) não, a visão é sempre sólida e confiável. a realidade é que muitas vezes é uma fraude. como sempre fiz, mais do que nunca o fiz, eu acredito no liberalismo. mas houve um róseo tempo de inocência em que eu acreditava nos liberais.”