Por que os candidatos a cargos políticos gostam de gravar cenas nas casas de famílias pobres ou de classe média? Segundo Roberto DaMatta, o ambiente doméstico “traduz o mundo como um assunto de preferências, laços de simpatia, lealdades pessoais, complementaridades, compensações e bondades (ou maldades!)”. Afinal de contas, as classes média e populares não votam em candidatos que só se preocupam em enfatizar em suas campanhas questões racionais como economia, infra-estrutura, transparência a partir de uma abordagem impessoal.

A pessoalidade das coisas no Brasil é fundamental. Nos Estados Unidos as ruas têm números. No Brasil, as ruas possuem nomes e/ou se referem a atividades econômicas. Dima e Serra volta e meia estão na casa de alguém tomando um cafezinho ou compartilhando uma leitura da Bíblia, cantando uma marchinha popular. Já disse aqui que essa pessoalidade interfere também na forma como enxergamos o conceito de políticas públicas.