Parece que a humanidade já está cansada de viver sob as demandas do círculo vicioso trabalho-casa-tv-shopping… Tem sido assim, as pessoas trabalham e retornam as suas casas. Lá encontram suas TVs ligadas com propagandas dizendo o quanto elas não são legais sem determinada coisa. Daí elas vão ao shopping e compram aquilo que as tornará mais legais. Para pagar as contas trabalham mais, retornam para casa, ligam a TV e começa tudo de novo.

Nessa pós-modernidade o mercado, através do volume de consumo, veio se configurando como o único ser capaz de conferir identidade as pessoas a despeito de instituições tradicionais como a família, a escola, o Estado etc. Depois das duas últimas décadas nesse ritmo, e apenas a última para os emergentes, o “humano” está de volta. Não por acaso, o ano de 2010 foi o ano marcado pela celebração da vida com bilhões de pessoas assistindo ao vivo o resgate dos mineiros chilenos presos em um buraco escuro, triste e depressivo que bem simboliza os resultados alcançados pela humanidade norte ocidental em sua farra consumista.

Os indivíduos da próxima década estão em busca daquilo que é humano, do puro e simples lazer, da amizade, da paz, da espiritualidade, da família, da celebração, da vida. As pessoas estão em busca de respostas variadas, mas que sejam consistentes, duradouras. A economia está voltando a ser apenas uma esfera da sociedade ao contrário do todo que foi nos últimos anos.

O mercado, por sua vez está demonstrando cada vez mais destreza e velocidade em capturar contextos e assumir discursos. Esses dias assisti a propaganda de um desses bancos “feitos para (ferrar) você”, acostumados a extorsão diária de seus clientes entre outros requintes, com um discurso humano, de equilíbrio, de paz, de família e de valorização da vida.

A agenda ambiental demorou entre 30 e 40 anos para chegar a mesa dos capitalistas. A última década foi marcada pelo crescimento econômico a taxas altas em mais de uma centena de países. Depois dessa farra consumista bastou as pessoas só começaram a pensar em algo mais humano, e em menos de 10 anos o mercado já está aí com um monte de bobagens que eles chamam de soluções para tornar você mais humano.