A única expressão política consistente dos pobres no Brasil é o associativismo religioso. E como os religiosos em sua grande maioria só cuidam de temas espirituais nos sentidos transcendentes e metafísicos, outros problemas sociais com falta de professores na escola pública ou esgoto a seu aberto nas comunidades não fazem parte da agenda de cobranças sobre os políticos e suas bancadas no congresso (pelo menos não fazem parte com todo aquele ímpeto e furor nos debates).

A temática do aborto que tanta polêmica causou nas últimas eleições presidenciais revelou o cenário do associativismo no Brasil. Muitos ficaram indignados pelos religiosos terem ido até as últimas consequências com esse assunto, mas o fato é que esse é o único assunto capaz de gerar alguma coesão política e possibilitar uma demonstração de força.

O associativismo que cuida dos problemas “não espirituais” da cidade é feito a partir da classe média que tem forte participação em sindicatos, partidos, associações esportivas etc, embora essa mesma classe participe cada vez menos da vida na cidade se trancando em condomínios.