Essa percepção classista de como as pessoas enxergam a educação, pertencem ao sociólogo francês Pierre Bourdieu de quem eu tirei os apontamentos a seguir:

Classes populares: baixo retorno, incerto e de alto risco. Por não possuírem nem o capital econômico e nem o capital cultural adequados, mais a dificuldade de se adiar a entrada no mercado de trabalho, esses pais levam a escola na perspectiva de que o que vier é lucro.

Classes médias (sobretudo as emergentes): alto retorno, previsível e de médio risco. Essa turma aí já encontrou a mobilidade social através da educação, e agora querem conduzir seus filhos a elite dominante da sociedade. Não medem esforços para oferecer aos filhos mais capital cultural e cobram ansiosamente o que devem e não devem dos professores e da escola.

Elite dominante: médio retorno, previsível e de baixo risco. O sucesso escolar dos filhos dessa classe é certo, pois tem a sua disposição muito capital econômico e cultural, sem a ansiedade da classe média emergente por ser elite. A educação é alvo de investimentos, mas apenas para referendar as posições que estão a sua espera para serem assumidas.