Estive pesquisando sobre ‘Design Thinking’ e esse ramo parece ser uma tendência para inovação na gestão das organizações e criação de inovações sociais e nos negócios. Uma iniciativa interessante está na empresa Ologia que utiliza o design como metodologia colaborativa de identificação de problemas e desenvolvimento de soluções centradas nas experiências dos indivíduos. Abaixo segue um fragmento de uma entrevista relatando um case realizado. A entrevista completa você pega aqui.

4 – Qual o case de vocês que melhor ilustra esse processo?

(..) Um case que estamos trabalhando desde o início da Ologia e que ganhou muito corpo foi o que envolve galpões de catadores de lixo reciclável na cidade de Belo Horizonte. Esse projeto ainda está em andamento e repensa absolutamente tudo o que diz respeito à atividade de coleta e triagem de resíduos sólidos gerados na cidade.

Quando começamos esse projeto a demanda era reorganizar o espaço físico de um galpão de catadores que era responsável pelo lixo do cliente que nos procurou. Era um problema focado, uma demanda muito clara. Antes de começarmos o projeto em si, fomos pra rua, iniciamos a etapa de etnografia, acompanhando os catadores, frequentando o dia-a-dia de trabalho daquelas pessoas e vimos que aquele cenário era imensamente mais complexo que o cliente imaginava. Descobrimos variáveis que fugiam do controle dos trabalhadores do galpão, que demandavam um esforço de relacionamento nosso com órgãos públicos e com a indústria que compra o material – o atravessador. Tivemos que aprender a lidar com as diferenças cognitivas que haviam entre nós – a equipe do projeto – e os trabalhadores do galpão – indivíduos com uma cultura extremamente fragmentada e com uma estabilidade absolutamente frágil.

Nossa equipe nesse caso é bastante heterogênea: um arquiteto, um engenheiro, uma assitente social, designers, gestores de marca, um especialista em resíduos sólidos, etc. Esse time trabalhou junto desde o início do projeto e está sendo responsável pela entrega de uma nova realidade para centenas de pessoas que vivem do lixo reciclável da cidade. Repensamos a forma como o lixo é disposto no ambiente urbano, a maneira como o cidadão enxerga o lixo disposto nas calçadas, como o material é coletado, o espaço físico dos catadores, os dispositivos de trabalho utilizados na coleta, triagem e envio de material para a indústria, assim como a estruturação do modelo de negócios dessa rede de galpões trabalhando em conjunto frente à indústria.