Depois de 2 semanas de reportagens especiais sobre educação de qualidade no Jornal Nacional e uma entrevista histórica sobre valorização do professor com Amanda Gurgel no programa do Faustão, quer dizer, pra todo o país, me lembrei de uma boa entrevista com Roberto DaMatta sobre educação e igualdade no Brasil. Nessa entrevista ele coloca que a escola é uma miniatura de nosso mundo coletivo. Aqui vai um trecho (a entrevista completa está no site conexão professor e você encontra aqui):

“CP – O senhor disse que pela primeira vez na vida o Brasil está otimista. Podemos ser otimistas em relação à educação? O senhor enxerga melhorias?

Roberto DaMatta – Muito pouco. Um dos gargalos da criação de uma sociedade que seja mais avançada em termos tecnológicos, que esteja no centro de criatividade, de inovação industrial e inovação política, é exatamente a questão da educação. Precisamos melhorar isso. Precisamos melhorar a educação primária e a educação secundária, precisam ser gratuitas.

Nos Estados Unidos, os melhores prédios nas cidades americanas são escolas primárias e secundárias. Nas escolas há oficinas, auditórios, a escola tem orquestras, nós precisamos disso.

CP – O senhor diz que o brasileiro possui uma vivência negativa com a igualdade. Como isso afeta a escola pública, que é uma instituição igualitária por essência?

Roberto DaMatta – Por isso não temos uma boa escola pública. Se os melhores prédios, mais bem dotados, fossem escolas, e os melhores salários fossem os de professor e não de políticos e juízes, imagina o escândalo que seria no Brasil. Os professores são os formadores do Brasil de amanhã. Os alemães encararam essas reformas no século XVIII, e no Brasil estamos lá, até hoje, esperando.”

E para quem ainda não viu, segue o depoimento contundente de Amanda Gurgel na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte que penso que tem tudo haver com as análises de Roberto DaMatta: