Sobre os estudantes da USP, penso que há sim uma genuína vontade de fazer política por parte do jovem hoje, mas a partir de novas instituições que não existem ainda por isso a coisa ocorre meio que no erro e no acerto.

A gente critica o fato de eles não terem grandes ideais coisa e tal mas é esse cenário nacional de corrupção, e global de bancos safados que acaba por gerar uma espécie de indignação e uma busca por expor pensamentos e construir novas representatividades. Trata-se de uma revolta geraçãoY sendo criticada por baby boomers de 68 que hoje estão nos jornais, tvs coisa e tal.

Outro ponto é q a geração que está na liderança hoje nas diferentes esferas da sociedade, é a geração que lutou no passado da ditadura, que pautou sua luta pela democracia. Então, para eles, então essa atitude dos estudantes da usp de não acatar a decisão na assembléia é chocante. A gente não viveu os dramas da ditadura, então pra gente é muito mais fácil abrir mão da democracia do que para eles se eles fizessem um ato até o limite cabível a turma que está aí ia aturar numa boa ia vir uma crítica ou outra, geraria um debate interno na usp etc.

Mas o ponto que foi levado essa manifestação acabou por se tornar um acinte. Ficou configurado como jovens brancos de elite, mimados, que querem fumar maconha, num país em que negros, pardos e pobres sofrem com a desigualdade social e morrem por qualquer motivo banal relacionado ao tráfico, desde bala perdida até homicídios cometidos por policiais nas periferias e favelas do país.

Provavelmente, esse crise na USP é uma policrise, ou seja um somatório de várias crises que vão desde a questão da representatividade dos estudantes até o modelo urbano do campus. A questão da maconha pode talvez ter sido apenas um estopim. O texto da Raquel Rolnik vai bem nessa direção.